Monsenhor enVide neFelibata
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Temporizadores

Um blogue sobre coisas que fazem pouco sentido escrito por Rui Leitão e ilustrado por Monsenhor enVide neFelibata.

esferográfica 0.4 mm sobre papel Fabriano 250gr
2021
REF passas_2021.02.15
Temporizadores

sobre

Há invenções incríveis, no entanto a sua aplicação prática nem sempre é conseguida ao tamanho da sua invenção. Os temporizadores de luz são um exemplo disso.

Esta invenção permite poupar muita energia, mas também gera o fenómeno de andarmos às apalpadelas ou à cabeçada. Quando alguém instala um sistema eléctrico com temporizador de luz a sua fixação por poupar energia é tanta que nos deixa às escuras a maior parte das vezes. Logo, isto é contraproducente porque a luz foi inventada para que não andássemos às escuras.

Se numa garagem o carro fica um pouco mais longe da saída, lá vamos nós ter que recorrer ao telemóvel para fazer de lanterna (isto sim, é uma boa invenção, a lanterna no telemóvel), caso contrário estamos sujeitos a bater contra o primeiro pilar que nos aparecer.

Também quando vamos a casa de alguém que vive num prédio e evitamos usar o elevador (coisa que faço recorrentemente até ao quinto andar, mais do que isto é exercício) a meio do caminho lá estamos nós à pancada aos vasos e a tocar nas campainhas dos vizinhos em vez de nos interruptores da luz. E lá vamos nós a correr até casa do amigo mais parecendo que estamos a fazer uma partida de miúdos, o toca e foge. O que já ninguém faz, porque agora não se toca às campainhas, dá-se um toque para o telemóvel.

Mas o pior momento em que podemos assistir ao mau regulamento do temporizador de luz é mesmo quando estamos numa casa de banho pública. Ninguém faz nada num casa de banho em apenas um minuto, a não ser saber se está ocupada. E se assim é, porque raios os temporizadores são programados para tão pouco tempo após o último movimento. Não fomos educados a dançar enquanto fazemos as nossas necessidades. Eu tenho sorte que sou homem e faço de pé e quando a luz se apaga lá me abano um bocado e volta a acender, mas quando tenho que fazer alguma coisa sentado, ou numa tentativa de sentado, a coisa piora. E depois ainda têm a lata de pôr letreiros a dizer: “deixe a casa de banho limpa”. Como? Se temos que estar sempre a dançar para que a luz não se apague.

Ainda temos um problema maior, quando vamos ao compartimento privado e o sensor nem sequer consegue ver se está lá alguém. Bem que podes dançar o que quiseres, mas enquanto não entrar mais alguém vais estar no escurinho o tempo todo. Depois quando a luz ligar, logo vês o que fizeste.

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