No artigo anterior terminei a falar dos temporizadores nas “casas de banho”. Antes de ser publicado, já tinha um primeira observação do enVide (o nobre ilustrador deste blogue), quando me diz que não é “casa de banho”, mas sim “quarto de banho”. Diz ele que a “casa” refere-se ao anexo, como realmente as casas de banho eram antigamente e os quartos à divisão interna na habitação. Chamar “casa de banho” aquele sítio nauseabundo é um terrível insulto. Ainda me lembro de usar uma dessa na Aguçadoura, quando era pequeno, e não comparem à qualidade do mesmo tipo de dispositivo que há no Boom Festival. Nestes espaços só se fazia uma coisa e banho não era de certeza. Talvez fosse é preciso tomar banho logo que de lá saíssemos. Essas “casinhas”, termo carinhoso que ainda é usado, eram chamadas de retretes, termo inclusive usado, e muito bem, nas estações de comboios. Digamos que o termo “casa de banho”, também não pode resultar dessas “casinhas”. E também é certo que nas mais modernas e sofisticadas “casinhas” lá das novas habitações, o banho é a actividade que menos empregamos nessa divisão. Já os ingleses têm um ideia um bocadinho melhor, o que é raro. Chamam-lhe de WC, o que quer dizer Water Closet, que traduzido literalmente é o “Gabinete da Água”. Faz sentido que se chama a “casa da água”, ou “quarto da água”, mesmo soando muito mal. Este é o tipo de discussões que deveria existir quando se tratam processos de evolução linguística e não casos como o último acordo ortográfico, em que ninguém está de acordo à excepção de uma elite e que ninguém o sabe usar correctamente, até diria, ensinar, mas acho que já estou a abusar. Resumindo, quarto é um termo que me leva para outra divisão e incomoda-me, não sei porquê, mas incomoda-me chamar-lhe assim: “quarto de banho”. Por isso acho que vou continuar a usar o termo “casa de banho” e quando estiver mesmo aflito e não quiser que ninguém dê por ela, chamo-lhe “casinha”.