Há um espaço nos automóveis que se chama chapeleira. Pelo menos em Portugal, há. Não sei porque se chama assim, nem porque motivo alguém um dia decidiu chamara à tampa que cobre o sector da bagageira (local onde se colocam as bagagens) de chapeleira. Confesso a minha preguiça para pesquisar tal coisa e vou apenas teorizar acerca do assunto. É sobretudo para isso que serve este blogue, teorizar sobre coisas. Entre o anterior parágrafo e este, não tive coragem de continuar a escrever sem pelo menos uma breve pesquisa. E então tentei perceber noutras línguas como se chama essa peça que separa a bagageira do resto do interior do carro e claro, a maior parte chama-lhe de tampa. É óbvio. A peça não é mais do que uma tampa. Mas em Portugal, não, em Portugal chamámos-lhe chapeleira e mais interessante ainda é quem a usa como tal. Na verdade, até poderíamos reconhecer uma certa visão singular no uso de algumas peças dos automóveis. Poderia considerar que o uso da chapeleira para colocar o chapéu com que saímos à rua durante a viagem que fazemos no automóvel, mas a questão é essa, é que não dá jeito nenhum colocar lá o chapéu antes de arrancar em viagem e tornar a pegar nele de lá no final da viagem. É um sítio não muito acessível. O melhor mesmo é pôr no banco do lado se não estiver ninguém, ou no colo, se estiver. Então para que serve a chapeleira? Esta é que é a questão que me leva a escrever sobre este assunto. É apenas para colocar chapéus de colecção. Sim, de colecção. Aqueles que não usamos na cabeça para não gastar porque são demasiado interessantes/bons/bonitos ou até marcantes de um episódio importante das nossas vidas. Há chapéus de muitas qualidades nas chapeleiras dos automóveis portugueses. O mais frequente é o do vaqueiro, ou em estrangeiro, do cowboy. Pelo menos na região onde vivo, o Minho, que julgo ser a região que melhor usa a chapeleira, é este o modelo predominante. As influências do cantor Augusto Canário e outros similares são por demais evidentes aqui por estas bandas. Mais há mais modelos. Embora com o formato sempre muito próximo do vaqueiro, temos algumas variantes, com várias cores e tudo. O que mais gosto de ver nas chapeleiras, são aqueles que marcaram algum episódio nostálgico de algo, que provavelmente já nem se lembram, mas que lhes marcou a vida, falo dos chapéus alusivos a arraiais, ou espaços físicos de arraiais como a famosa Quinta da Malafaia. Há um outro modelo, ainda no campo da nostalgia, que é o das marcas de bebidas, normalmente alcoólicas. Eu pelo menos nunca vi num chapéu de vaqueiro da marca Coca-Cola ou qualquer outro refrigerantes, mas já vi muitos vaqueiros americanos a beber Coca-Cola (só em filmes). E também , sejamos sensatos, ninguém que bebe suminhos anda com chapéu de vaqueiro. É um bocado contraproducente. Há dois aspectos que devemos frisar neste tópico que são os momentos e locais em que podemos vislumbrar este aparato dos chapéus bem colocados no sítio deles, na chapeleira. O melhor dia é sem dúvida o Domingo. O Domingo é o dia em que quase toda a frota que circula nas estradas portuguesas se altera e talvez por causa desta alteração natural é que se proporciona o momento ideal para observarmos de perto estes modelos. O sábado também não é mau, mas de todo se compara ao Domingo. À segunda-feira a coisa torna-se tão rara que já quase não se vê nenhum. Quanto aos locais onde estas espécies se apresentam, variam, mas há dois sítios onde os encontramos com uma enorme facilidade, ou parques de estacionamento de Hipermercados ou Centros Comerciais, ou com mais vigor ainda, nas marginais das nossas praias nortenhas. Também os podemos encontrar na feira semanal de cada concelho. Isto até poderia ser uma coisa que com o tempo passasse e que fosse apenas de uma certa e determinada geração, mas não, temos as mais recentes gerações a seguir, e bem, os mesmos passos. Talvez sem a banda tigresa a rodear o chapéu, mas com a marca de uma bebida que eles acham que devem apoiar e fazer publicidade da mesma.